ROTA DO DESCOBRIMENTO

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É pouco provável que exista no Brasil uma rota que represente o país melhor que a Rota do Descobrimento. Foram por essas terras as descobertas e os encontros que modelaram essa nação. Viajar pela Bahia começa antes de cruzar a fronteira. Começa no imaginário do desbravamento de um Mundo Novo, a terra sem males.

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DIA 1 | PRADO – CUMURUXATIBA | 36km 303m

Partindo de Prado, a maior parte do caminho foi feita pela estrada de terra que liga as duas cidades. Apesar de aterrada, nas épocas mais secas, costelas se formam por todo o caminho o que torna a missão um tanto quanto desconfortável. Algumas partes desse trecho dá pra fazer pela praia mas recomendo dar uma olhada no Google Maps pra ver se não tem alguma falésia intransponível impedindo a passagem pela areia.

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O trecho tem várias subidas e descidas curtas, a todo momento passando por cima das falésias e descendo nas partes onde passam os rios. A parada obrigatória é na Praia das Amendoeiras onde o acesso até a areia fica mais fácil e o visual é incrível.

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De volta a estrada, a todo momento existem trilhas de acesso a mirantes e praias que separam as duas cidades. Descemos até a Praia do Tororão e seguimos pela areia até a Praia das Ostras. A maré ainda estava começando a baixar e a areia ainda não estava em condições ideais pra pedalar então decidimos seguir pela estrada mesmo.

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Em Cumuruxatiba ficamos no camping Aldeia da Lua. Apesar de muito bonito e muito bem localizado, a administração deixa um pouco a desejar. Problemas a parte, montamos a barraca e ainda fomos curtir o resto do dia na praia em frente ao camping. À noite, caminhamos até o centro pra jantar e passamos no mercado pra comprar mantimentos pros dias seguintes.

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DIA 2 | CUMURUXATIBA – CORUMBÁU | 29.6km 69m

Acordamos cedo, junto com o sol, e fomos pra praia antes do café da manhã dar aquele mergulho pra acordar. Cafeteira no fogareiro e uns 30km nos esperavam pela frente.

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Saímos do camping calculando a hora em que o auge da maré baixa ia coincidir com o horário que chegaríamos a Barra do Cahy onde íamos precisar atravessar o rio. Com a maré baixa, a travessia ficaria bem mais fácil. O início do trecho vai beirando o mar até que a estrada toma outro rumo e começa a adentrar o continente. A partir desse momento já não se vê mais o mar que só volta a aparecer quando já estamos próximos da travessia.

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Apesar da maré estar baixa, pra atravessar o rio, precisaríamos desmontar as malas das bikes. Eis que então, começam a surgir pessoas se dispondo a ajudar na travessia sem precisar desmontar nada. Já do outro lado, agradecemos a ajuda e seguimos por uma porteira provavelmente de alguma propriedade particular que termina em uma estrada de areião e essa por sua vez termina na estrada que leva a Corumbáu.

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Quando avistamos os primeiros sinais de civilização, paramos em um bar à beira da estrada e alí nos indicaram o camping da Villa Segovia. Apesar de estar distante 6km de Corumbáu, não poderíamos ter ficado em lugar melhor. Depois de montada a barraca, aproveitamos que ainda estava cedo e, com as bikes mais leves, seguimos até a ponta de Corumbáu e aproveitamos pra fazer umas compras no mercado da vila.

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DIA 3 | CORUMBÁU – CARAÍVA | 17.4km 18m

Existem duas opções de se chegar em Caraíva partindo de Corumbáu. Uma é a travessia do rio e seguir um trecho pela praia até encontrar a estrada que te leva ao vilarejo.

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A outra opção é pela porteira de uma fazenda, um quilômetro depois do camping sentido Corumbáu. Como não era um horário bom de seguir pela praia por causa da maré, optamos por esse caminho. Se fizemos uma boa escolha, nunca vamos saber, mas esse trecho foi o mais sofrido da viagem.

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Adentramos a porteira e a partir dali, era pura areia fofa. Por esse caminho não dá pra ir de carro. Nem de jipe. É a trilha utilizada pelos índios que vivem do outro lado da ponta. Passamos por duas pinguelas que pareciam precisar de manutenção. Nos disseram que provavelmente haveriam índios por alí cobrando um pedágio para liberar a passagem. Como era muito cedo, não tinha ninguém. Só umas crianças brincando no rio, pulando das pontes. A partir dalí o caminho piorou muito.

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São várias trilhas pela areia bem fofa e todas levam praticamente ao mesmo lugar, algumas são melhores, outras impossíveis. E há ainda aquelas que te levam em outra direção. No caso, estávamos seguindo por uma dessas até encontrarmos um índio de moto que nos colocou na direção correta.

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O calor era intenso, as rodas da bicicleta afundavam na areia que com o suor começava a colar na perna adentrando os tênis dando aquela sensação de que eles foram colocados com espinhos dentro da meia. Empurramos por essa areia por pelo menos uma hora e meia. Quando começaram a surgir as primeiras casas da aldeia, o calor era tanto que achei que fosse miragem.

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Da aldeia até Caraíva, o caminho segue por uma estrada aterrada onde o pedal flui tranquilamente. Já na vila, o areião nos assombrava novamente. É fácil entender por que tem muita gente que chega ali e não vai mais embora. Ou ficam presos na areia ou ficam maravilhados com a beleza dalí. Chegamos exatamente no dia do padroeiro do vilarejo e o clima de festa tomava conta do lugar.

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Devidamente instalados no Camping Caraíva, começamos a repensar o percurso do dia seguinte que, de acordo com os mapas, parecia ter bons trechos de areia. A energia física que nos restava não era suficiente nem pra acender o fogareiro, então abrimos mão do almoço no camping por um almoço à beira rio.

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No fim da tarde a vila já fervilhava de pessoas indo e vindo ocupando os bares e a praça onde seria a festa de Sã0 Sebastião. Quando chegou a noite, já nem parecia o mesmo vilarejo.

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Acordamos bem cedo e a vila parecia uma cidade fantasma. Nem uma pessoa nas ruas. Nenhum lugar aberto. Nada. Seguimos pra praia e ficamos na ponta onde ela encontra com o rio. Dois cachorros nos faziam companhia entre um mergulho e outro.

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Aos poucos, surgiam os canoeiros trazendo os turistas que começavam a chegar do outro lado do rio. De volta ao camping, organizamos as bolsas, montamos as bikes e ficamos fazendo hora na frente do rio esperando o melhor horário pra atravessar. Na verdade, acho que era a esperança de poder ficar um pouco mais por ali.

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DIA 4 | CARAÍVA – TRANCOSO | 39,6km 280m

Subimos as bicicletas no barquinho e do outro lado já podíamos ver a primeira ladeira do trecho. O canoeiro que nos levava disse que ainda teriam umas sete delas até Trancoso, incluindo uma “impossível” de subir pedalando. Apesar de curtas, as ladeiras eram inclinadas e subir com a bike carregada é um desafio a parte.

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Esse era um trecho que precisaria ser dividido em duas partes, com uma noite na Praia do Espelho. Como não tínhamos como extender a viagem, nos restava fazer esse trecho em um dia. Porém, um dia pra esse percurso é muito pesado, principalmente pelas partes de empurra-bike na areia. Então, certos de que um dia faremos essa rota de novo, não passamos pela Praia do Espelho e seguimos por dentro pela estrada de terra que sai no asfalto a 6km de Trancoso.

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Como esse trecho é a estrada de acesso para carros Caraíva-Trancoso, o movimento por alí pode ser mais intenso, principalmente no início e no fim do dia. Portanto, se prepare pra muita poeira e muita costela o caminho inteiro se optar passar por aqui.

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Chegamos em Trancoso com o pôr do sol. Pedindo indicação de onde ficar pela cidade, nos indicaram a Pousada e Camping Cuba e a escolha não podia ter sido melhor. Chutamos o pau da barraca e pegamos um quarto pra repor a perda acumulada de energia por empurrar bike na areia. O proprietário Aloísio nos indicou a melhor tapioca da cidade e esse foi o nosso jantar, na Tapioca da Sandra, uma barraquinha na entrada do Quadrado.

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DIA 5 | TRANCOSO – PORTO SEGURO | 19,6km 24m

Tomamos o café da manhã na pousada, passeamos pelo centro, uma missa estava sendo celebrada na igreja do Quadrado, fizemos umas fotos no mirante e voltamos pra organizar as bicicletas. Ficamos conversando com o Aloísio que nos contava as histórias da região enquanto o Doril, um local que sempre cola por lá, fazia uns sons autorais muito fodas à la Ventania. Almoçamos num restaurante local também indicado pelo Aloísio que agora não me lembro o nome, passamos no mercado pra nos abastecer de água e então partimos para o que seria o trecho mais tranquilo da viagem.

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Esse trecho dá pra fazer todo pela praia. Saímos do Quadrado e descemos até a Praia dos Nativos e alí já entramos na areia. Se não me engano atravessamos três ou quatro rios pequenos. Pra fazer esse trecho pela praia o mais importante é saber o horário auge da maré baixa. Desse jeito, todo o caminho fica pedalável. No nosso caso, a maré ainda estava baixando e só teve uma parte de uma falésia que tivemos que atravessar pelo mar. Mas com a maré bem baixa dá pra passar por lá pedalando de boa.

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À medida que vamos nos aproximando de Arraial, começam a surgir os bares a beira mar e muita gente. O caminho termina no rio que separa Porto Seguro que já pode ser vista do outro lado. Um pouco antes tem um beco pra sair da praia. Uns 100 metros dali já está a balsa que faz a travessia gratuita pro outro lado(Só é grátis no sentido Trancoso-Porto Seguro). De um lado o sol se despedindo, do outro os recifes que deram o nome a cidade. A Rota do Descobrimento serviu pra descobrir que precisamos voltar.

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COMO CHEGAR?
Algumas empresas de ônibus como a Expresso Brasileiro e Águia Branca tem linhas que levam a Prado.

CANOA CARAÍVA
Pra atravessar a bicicleta os canoeiros cobram o valor de uma pessoa para a bicicleta. Passamos em janeiro 2017 | R$5 por pessoa | R$10 pessoa+bike

ÔNIBUS PORTO SEGURO
De Porto Seguro de volta pra Prado, a passagem custa R$45 e cada bicicleta custa R$15. A empresa que faz essa linha é a Expresso Brasileiro. Tel: (73) 3288-3650
O ônibus sai de Porto Seguro as 14:30 e chega em Prado 19:30.

TÁBUA DE MARÉS
Nossa sugestão é imprimir uma folha com os horários das marés pra saber os melhores horários de pedalar pela praia. O que fazíamos é o seguinte. Se a maré alta era 8 da manhã, então contávamos 3 horas pra frente e aí saíamos pro pedal. Ou então nas travessias dos rios, programamos de chegar nas travessias no horário da maré mais baixa.
Melhor ainda, se possível, faça a rota com a lua cheia ou nova. A variação da maré é maior nessas luas. Sem saber, fomos na lua minguante e a variação da maré é bem menor.
Acesse TÁBUA DE MARÉS

CADEIRINHA x TRAILER
Dessa vez optamos pela cadeirinha pra Maya ao invés do trailer. Apesar de perder no conforto e espaço, ganhamos na agilidade e peso, principalmente em travessias e trechos com muita areia onde era preciso empurrar. Pra não cansar, reduzimos os trechos ao máximo e paramos sempre que ela queria. Adaptamos uma proteção contra o sol que era do carrinho de bebê dela e foi indispensável.

MAPA
Esse foi o mapa do caminho que pretendíamos fazer. Apesar do planejamento, não conseguimos segui-lo a risca. De Corumbáu a Caraíva pegamos a trilha da fazenda que passa pela aldeia indígena. A entrada está no km 60,5 da rota do mapa abaixo.
De Caraíva até Trancoso, seguimos pela estrada de terra dos carros que possui indicações do caminho ao longo do trecho.
De Trancoso até Porto Seguro, seguimos tudo pela praia.

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FOTOS

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Chegando na Bahia

p1140239Falésia na Praia das Amendoeiras

dscf1549Entre Cumuru e Corumbáu

dscf1584Camping Villa Segovia

dscf1629Atravessando a segunda pinguela que leva à aldeia

dscf1912Caraíva

p1140312Entre Prado e Cumuru

p1140609Analisando as condições

dscf1662No bar da aldeia

dscf1788Pôr do sol no Rio Caraíva

p1140696Distâncias

dscf1933Camping e Pousada Cuba

p1140790Quadrado em Trancoso

dscf2020Entre Trancoso e Arraial

p1140861Praia só pra gente enquanto esperamos a maré baixar

p1140959Valeu Bahia!

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