ROTAS: SANTUÁRIO DO CARAÇA

“Só o Caraça paga toda a viagem a Minas.” D. Pedro II, 1881

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   Era a primeira quarta feira de agosto. Era também a primeira cicloviagem de nossa filha, com 1 ano e 8 meses. Já ensaiávamos essa partida em algumas pedaladas pelas montanhas onde moramos mas uma pedalada “overnight” seria a primeira. Escolhemos uma rota tranquila e um lugar esquecido no tempo, o Santuário do Caraça.

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Em Catas Altas, nos hospedamos na Pousada Ecos da Serra. Tivemos uma recepção VIP e um café de dar inveja a qualquer hotel 5 estrelas. Lá, desenhamos um caminho que passaria por 15km de estrada de terra até Bicame de pedras e sairia no asfalto já quase na entrada do santuário. Do asfalto até o topo, seriam uns 18km. Com um frio de cortar, tomamos o café e saímos junto com o sol.

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   Logo na saída cruzamos a linha do trem bem na hora que ele passava e adentramos uma plantação de eucalipto de acordo com as indicações do caminho que criamos no Google Earth. De repente, à uma distância de 100 metros um canguru pulou no meio da trilha e ficou nos observando. Paramos na hora. Ele se assustou com os freios e seguiu seu caminho saltitando. Daquele distância, não vou mentir, o veado parecia canguru.

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   Chegamos ao bicame e Maya decidiu que seria um bom lugar pra jogar futebol. Tirou a bola do trailer e ficou correndo pra todo lado. Fizemos um lanche e claro, esquecemos a bola, que ficou nos esperando até o dia seguinte.

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   Alguns poucos caminhões de mineradoras transitavam pela estradinha de terra e quando passavam levantavam uma poeira que não dava pra enxergar um metro à frente.

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   A rota criada era clara. 33km 800m de elevação na ida. 33km 300m na volta. Suave. Ledo engano. Depois de 20km bem tranquilos, a subida começou a apertar e faltando uns 5km pra chegar, a estrada se transformou no Galibier, uma das montanhas mais lendárias do Tour de France. Puxando o trailer, só dava pra subir no zigzag e olhe lá. Pra Carol que não pedalava desde pouco antes de Maya nascer foi um desafio a parte. No topo descobrimos que os 800m se transformaram em 1300.

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     Situado bem ao pé do Pico do Sol (o mais alto da Cadeia do Espinhaço, 2072m), o registro mais antigo que se tem do Caraça, hoje reserva particular do patrimônio natural, data de 1708 quando apareceu em um mapa da Província de Minas. No local há vestígios de que alí já teria sido terra de garimpo. Reza a lenda que por volta de 1770 o Irmão Lourenço comprou a sesmaria do Caraça e ali fundou um pouso para viajantes e ergueu uma capela. Ela se tornaria o destino de peregrinos da época. Em 1775 ela daria lugar a igreja que existe hoje. Depois da morte do Irmão Lourenço, em 1820 padres recém chegados de Portugal, a mando do rei, assumiram a missão de dar continuidade aos trabalhos do Irmão e assim fortalecer os interesses da Coroa na região. Mas quando chegaram ali, estava tudo abandonado e alguns poucos escravos que mal sabiam que dois anos depois seriam livres. Naquele mesmo ano, os padres iniciam as missoes em cidades de Minas e quando foram ao Rio de Janeiro prestar contas ao Rei, voltaram com os primeiros quatro alunos. De acesso extremamente complicado na época, os alunos ficavam ali, “internados”. Nos primeiros 14 anos foram mais de 1500 alunos. O Santuário foi se expandindo para acomodar as mudanças até que, em 1968, um incêndio destruiu quase tudo, acabando com o colégio.

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Hoje é possível dormir nos aposentos que eram usados pelos alunos. O santuário funciona no esquema de pensão completa(café self service incrível, almoço e janta) e durante a semana fica mais barato. Ficamos numa casinha perto do rio que a recepcionista disse fazer muito frio. Não acreditamos e pagamos pra ver. Quase congelamos.

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Rio congelado

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A noite o lobo guará apareceu e Maya queria abraçá-lo

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Road Rage

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Passarinhos sociáveis

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Café self service

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Dormiu

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De volta a Catas Altas, ainda conseguimos conhecer os tesouros escondidos da cidade.

TOTAL 66KM . 2026m Catas Altas-Caraça-Catas Altas


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